Valor consolidado, que inclui bancos públicos e Petrobras, representa média de R$ 2 bilhões anuais. Despesas diretas da Secom crescem em 2025 e já superam o total de 2024.
Por Redação
Publicado em 30 de outubro de 2025 — Hidrolândia Foco
BRASÍLIA — O governo federal e suas principais estatais desembolsaram R$ 4,1 bilhões em ações de publicidade e propaganda entre 2023 e 2024, nos dois primeiros anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O valor representa uma média anual de R$ 2 bilhões, segundo levantamento com base em dados oficiais dos portais da transparência e relatórios orçamentários.
O montante consolidado inclui não apenas as despesas da administração direta — coordenadas pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) —, mas também os expressivos orçamentos de marketing de Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Petrobras, tradicionalmente entre os maiores anunciantes do país.
Segundo os registros, as estatais continuam respondendo pela maior parcela dos investimentos em comunicação, com gastos destinados à promoção de produtos, serviços e patrocínios institucionais. Na média, o valor equivale a R$ 170,8 milhões mensais em publicidade e propaganda ao longo do biênio.
Gastos diretos da Secom aceleram em 2025
Quando se isolam apenas as despesas da administração direta — ou seja, campanhas coordenadas pela Secom e pelos ministérios —, os valores são menores, mas mostram uma aceleração significativa neste terceiro ano de mandato.
Em 2023, o governo federal executou R$ 451 milhões em publicidade institucional e campanhas de utilidade pública. Já em 2024, o total caiu para R$ 377,6 milhões.
Mas em 2025, até o dia 22 de outubro, os gastos já somavam R$ 379,8 milhões, superando todo o valor pago no ano anterior em apenas dez meses.
A tendência de alta eleva a média mensal de gastos da Secom, que passou de R$ 37,5 milhões em 2023 e R$ 31,4 milhões em 2024 para cerca de R$ 39 milhões por mês neste ano.
Investimento digital dobra e redes ganham protagonismo
A composição dos gastos também mudou. Dados de execução orçamentária indicam que o investimento em campanhas digitais — voltadas a internet e redes sociais — dobrou em 2025. Até outubro, a Secom havia aplicado R$ 69 milhões no meio digital, frente aos R$ 33 milhões registrados no mesmo período de 2024, um salto de 110%.
O movimento reflete uma mudança estratégica do governo, que busca reforçar sua presença e narrativa em plataformas online, especialmente em um cenário de crescente disputa de informação nas redes.
Campanhas de utilidade pública e programas sociais
De acordo com dados oficiais, as campanhas de maior peso no orçamento de comunicação em 2025 estão ligadas à saúde pública (combate à dengue e incentivo à vacinação) e à divulgação de programas sociais, como o Desenrola Brasil e o Novo PAC.
A Secom também tem ampliado campanhas de valorização institucional do governo, com ênfase em obras, entregas e resultados sociais.
Contexto e comparativo histórico
Os números atuais ainda estão abaixo dos picos registrados em governos anteriores. Durante os dois primeiros anos do segundo mandato de Dilma Rousseff (2015-2016), por exemplo, o gasto consolidado com publicidade superou R$ 5,2 bilhões, já corrigidos pela inflação. No governo Jair Bolsonaro (2019-2020), o valor ficou próximo de R$ 3,6 bilhões.
Mesmo assim, a tendência de crescimento acelerado em 2025 indica uma recomposição do investimento em comunicação pública, com forte ênfase em plataformas digitais e campanhas de imagem institucional.
📊 Resumo dos principais números:
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R$ 4,1 bilhões gastos em publicidade e propaganda (2023-2024)
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R$ 379,8 milhões já executados em 2025 (até 22/10)
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R$ 69 milhões destinados à mídia digital (aumento de 110%)
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R$ 170,8 milhões de média mensal consolidada
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R$ 39 milhões de média mensal da Secom em 2025
